A mesquita Hacı Bayram em Ancara — um local sagrado e um türbe do século XV

Mesquita Hacı Bayram: o coração espiritual da antiga Ancara

Na colina de Ulus, onde outrora se erguia o templo romano do imperador Augusto, encontra-se hoje a mesquita Hacı Bayram Camii — o principal santuário de Ancara e local de peregrinação de milhares de muçulmanos de todos os cantos da Turquia. A mesquita fica colada ao antigo templo, a sua alvenaria funde-se com as ruínas do Augusteum, formando um conjunto arquitetónico único, no qual a antiguidade romana coexiste com a piedade otomana. Aqui repousa Hacı Bayram-ı Veli — um xeque sufi do século XV, fundador da tarikat Bayramiye e mestre espiritual de toda uma geração da elite otomana.

História da mesquita e do santo

A mesquita foi construída entre 1427 e 1428, durante o reinado do sultão Murad II — pouco depois da morte de Hacı Bayram-ı Veli (por volta de 1430). O próprio xeque, nascido em 1352 na aldeia de Solfasol, perto de Ancara, foi discípulo de Hamid Hamidüddin Aksarayî (Somuncu Baba) e, com o tempo, formou o seu próprio caminho sufi — o Bayramiye, que exerceu uma enorme influência na vida espiritual do período otomano inicial. Entre os seus discípulos encontrava-se Akşemseddin — mentor do sultão Mehmed II, o Conquistador.

A mesquita foi erguida junto à parede sudeste do antigo templo de Augusto e Roma (Monumentum Ancyranum), na fachada do qual se conservou a famosa inscrição Res Gestae Divi Augusti — o testamento político de Otávio Augusto. A vizinhança entre o templo pagão e o santuário islâmico é uma das mais invulgares da Turquia. Ao longo dos séculos, a mesquita foi repetidamente restaurada: grandes remodelações ocorreram nos séculos XVII e XVIII, no início do século XX o minarete foi renovado e, nas décadas de 1940 e 2010, foram realizadas grandes obras de restauro. A decoração em azulejos produzida em Kütahya foi adicionada no século XVIII.

O Türbe (mausoléu) de Hacı Bayram-ı Veli está localizado mesmo ao lado da mesquita, num pequeno edifício de pedra com cúpula. Aqui também estão sepultados o seu filho, Ahmet Baba, e vários seguidores. A praça em frente à mesquita serve tradicionalmente de ponto de encontro para os peregrinos, especialmente às sextas-feiras e nos dias de festas religiosas.

Arquitetura e o que ver

Aspecto exterior e minarete

A mesquita é um edifício de planta retangular, construído em pedra talhada de cor amarelo-ocre e tijolo, coberto por um telhado de telhas. A composição de dois andares — o piso inferior da sala de oração e a galeria superior — é característica da tradição anatólia do início do período otomano. O único minarete, fino e esguio, ergue-se no lado noroeste e é bem visível de longe. Uma escada em espiral conduz até ele, e a tradicional şerefe (varanda do muezim) está decorada com entalhes.

Sala de oração e mihrab

O espaço interior é uma sala oblonga, coberta por um teto de madeira apoiado em colunas. O mihrab está virado para Meca e decorado ao estilo tradicional otomano; ao lado encontra-se um minbar de madeira com entalhes elegantes. As paredes, até ao nível da galeria, estão revestidas com painéis cerâmicos produzidos em Kutahya no século XVIII: predominam as cores azul, turquesa e branco, com padrões de arabescos vegetais e rosetas.

Türbe Hacı Bayram-ı Veli

O mausoléu fica junto à mesquita pelo lado sudeste e é acessível através de uma entrada separada. Trata-se de um pequeno edifício com uma única cúpula, no interior do qual se encontra um baú (sarcófago simbólico), coberto por um pano verde com versículos do Alcorão bordados a ouro. O espaço está sempre repleto de peregrinos que recitam duas e o Alcorão.

Augusteum nas proximidades

A poucos passos da mesquita erguem-se as paredes do templo romano de Augusto e Roma (Monumentum Ancyranum) — um dos monumentos antigos mais importantes da Anatólia. É aqui que está gravado o texto completo, em latim e grego, da Res Gestae Divi Augusti — o relato autobiográfico do primeiro imperador romano. A visita à mesquita e ao templo costuma ser combinada num único passeio.

Curiosidades

  • Hacı Bayram-ı Veli é considerado o padroeiro de Ancara; segundo a crença local, as suas orações protegem a cidade.
  • A mesquita é um dos poucos locais na Turquia onde um santuário islâmico e um antigo templo romano formam um único complexo arquitetónico.
  • Hacı Bayram não era apenas um sufi, mas também um poeta: os seus poemas em turco antigo fazem parte do corpus clássico da poesia mística da Anatólia.
  • Na zona da mesquita formou-se um bairro tradicional, conhecido pelas suas lojas de rosários (tesbih), halva, lokum e literatura religiosa.
  • A Ordem Bayramiye deu origem a várias ramificações importantes: Şemsiyye, Melamiyye e Celvetiyye — esta última exerceu uma influência particular na vida espiritual de Istambul do século XVII.

Como chegar

A mesquita situa-se no bairro de Ulus, no centro histórico de Ancara, a apenas 1 km da praça Ulus Meydanı. A estação de metro mais próxima é a de Ulus (linha Ankaray/M1). A pé, a partir da praça, são cerca de 10 a 15 minutos pela rua Hacı Bayram Caddesi. A partir da estação ferroviária Ankara Garı, são cerca de 1,5 km, sendo conveniente ir a pé ou de táxi.

É possível chegar de carro, mas na zona da cidade velha as ruas são estreitas e o estacionamento é limitado. Recomenda-se deixar o carro num dos parques de estacionamento pagos na zona de Ulus. A partir do aeroporto de Esenboğa (ESB) — cerca de 35 km, é mais prático chegar de Havaist ou de táxi.

Dicas para o viajante

A Hacı Bayram Camii é uma mesquita em funcionamento, por isso respeite as regras de visita aos locais sagrados muçulmanos: tire os sapatos à entrada (existem prateleiras e sacos para o efeito), as mulheres devem cobrir a cabeça com um lenço, e os ombros e joelhos devem estar cobertos. Por vezes, são distribuídos lenços à entrada, mas é melhor ter o seu próprio.

A melhor altura para visitar é entre as orações, fora do horário da oração de sexta-feira (cuma namazı, por volta do meio-dia) e dos grandes feriados religiosos, quando a mesquita e a praça ficam lotadas. As horas da manhã nos dias de semana são as mais tranquilas. O Türbe Hacı Bayram está aberto diariamente, com entrada gratuita.

Não perca o vizinho Monumentum Ancyranum — pode entrar gratuitamente no recinto das ruínas, contornando a mesquita pela esquerda. A combinação da antiguidade romana com o sufismo otomano cria uma atmosfera única, que não se encontra em mais nenhum lugar da Turquia. Após a visita, pode passear pelas lojas nas proximidades e provar os doces tradicionais da Anatólia — especialmente o tahin pekmez e o helva.

É permitido fotografar no interior da mesquita, mas sem flash e não durante a oração. As melhores vistas do conjunto são a partir do canto noroeste, onde o minarete, a cúpula do türbe e as ruínas do templo de Augusto se alinham numa única composição.

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Perguntas frequentes — A mesquita Hacı Bayram em Ancara — um local sagrado e um türbe do século XV Respostas às perguntas mais frequentes sobre o A mesquita Hacı Bayram em Ancara — um local sagrado e um türbe do século XV. Informações sobre o funcionamento, as possibilidades e a utilização do serviço.
Hacı Bayram-ı Veli (c. 1352–1430) — xeque sufi, poeta e mestre espiritual, nascido na aldeia de Solfasol, nos arredores de Ancara. Fundou a ordem sufi Bayramiye, que exerceu uma enorme influência na vida espiritual e cultural do período otomano inicial. Entre os seus discípulos encontrava-se Akşemseddin — mentor de Mehmed II, o Conquistador. Hacı Bayram-ı Veli é considerado o padroeiro celestial de Ancara, e o seu mausoléu junto à mesquita atrai anualmente milhares de peregrinos de toda a Turquia.
Não, a visita à mesquita Hacı Bayram Camii e ao mausoléu (Türbe) adjacente de Hacı Bayram-ı Veli é totalmente gratuita. O Türbe está aberto todos os dias. Da mesma forma, é possível visitar gratuitamente as ruínas do antigo templo de Augusto (Monumentum Ancyranum), que se encontram mesmo ao lado da mesquita.
Sim, a mesquita está aberta a turistas de qualquer religião — desde que sejam respeitadas as regras de visita aos locais sagrados muçulmanos. É necessário tirar os sapatos à entrada; as mulheres devem cobrir a cabeça e vestir-se de forma a que os ombros e os joelhos fiquem cobertos. Por vezes, são distribuídos lenços à entrada, mas é melhor ter o seu próprio. É permitido fotografar sem flash e fora do horário de oração.
O Monumentum Ancyranum é um templo romano dedicado a Augusto e Roma, datado do século I a.C., nas cujas paredes está gravado o texto completo, em latim e grego, das Res Gestae Divi Augusti — o testamento político do primeiro imperador romano, Otávio Augusto. A mesquita Hacı Bayram Camii foi erguida junto à parede sudeste deste templo entre 1427 e 1428, formando um conjunto único: a antiguidade romana e a arquitetura islâmica otomana estão literalmente lado a lado. É possível chegar às ruínas contornando a mesquita pela esquerda.
As paredes da sala de oração, até ao nível da galeria, estão revestidas com painéis cerâmicos produzidos em Kütahya no século XVIII. Caracterizam-se pelos tons de azul, turquesa e branco, com padrões de arabescos vegetais e rosetas. Kutahya é o centro histórico da arte do azulejo turco, e estes painéis contam-se entre os exemplares mais representativos deste estilo em Ancara.
Bayramiye — uma ordem sufi fundada por Hacı Bayram-ı Veli no século XV. A ordem exerceu uma influência significativa na vida espiritual do Império Otomano e deu origem a várias ramificações importantes: Şemsiyye, Melamiyye e Celvetiyye. Esta última foi particularmente ativa em Istambul no século XVII. Para além da prática religiosa, Hacı Bayram-ı Veli deixou um legado poético em turco antigo, que passou a fazer parte do corpus clássico da poesia mística da Anatólia.
As horas mais tranquilas são as da manhã nos dias úteis — após a oração matinal e até ao meio-dia. Deve-se evitar o meio-dia de sexta-feira (cuma namazı), quando a mesquita e a praça adjacente ficam lotadas. Também há muita gente nos dias de grandes festas religiosas — o Kurban Bayram e o Ramazan Bayram. As épocas recomendadas para uma visita geral à zona de Ulus são a primavera e o outono.
A zona em torno da mesquita Hacı Bayram Camii desenvolveu-se historicamente como um bairro comercial com uma forte influência religiosa. Aqui é possível encontrar lojas que vendem rosários (tesbih), halva (helva), lokum, pastas de tahini e pekmez (tahin pekmez), literatura religiosa e lembranças. É um bom local para provar doces tradicionais da Anatólia e comprar lembranças.
Sim, além da própria mesquita e do Monumentum Ancyranum, nas imediações encontra-se o bairro histórico de Ulus, com os seus mercados e edifícios antigos. Um pouco mais longe ficam a Cidadela de Ancara (Ankara Kalesi) e o Museu das Civilizações da Anatólia (Anadolu Medeniyetleri Müzesi), um dos melhores museus arqueológicos da Turquia. É possível visitar os três locais numa única caminhada de meio dia.
A composição mais impressionante revela-se a partir do canto noroeste do complexo: daqui, o minarete esguio da mesquita, a cúpula do Türbe e as antigas muralhas do Templo de Augusto cabem todos numa única imagem. É permitido fotografar no interior da mesquita, mas apenas sem flash e fora do horário da oração.
Manual do usuário — A mesquita Hacı Bayram em Ancara — um local sagrado e um türbe do século XV Manual do usuário do A mesquita Hacı Bayram em Ancara — um local sagrado e um türbe do século XV com descrição das principais funções, recursos e princípios de uso.
A mesquita Hacı Bayram Camii fica no bairro de Ulus, o centro histórico de Ancara. A forma mais prática de chegar é de metro até à estação Ulus (linha Ankaray/M1) e, em seguida, caminhar cerca de 10 a 15 minutos pela rua Hacı Bayram Caddesi. A distância da estação ferroviária Ankara Garı é de cerca de 1,5 km — pode ir a pé ou de táxi. Se vier do aeroporto de Esenboğa, utilize o autocarro Havaist ou um táxi (cerca de 35 km). Se for de carro, tenha em conta as ruas estreitas da cidade velha: é melhor deixar o carro num parque de estacionamento pago na zona de Ulus.
A Hacı Bayram Camii é uma mesquita em funcionamento, pelo que existem requisitos obrigatórios em relação ao vestuário. As mulheres devem cobrir a cabeça (com um lenço), os ombros e os joelhos. Os homens devem também evitar usar calções. Os sapatos devem ser retirados à entrada — existem prateleiras e sacos para os guardar. Por vezes, são distribuídos lenços à entrada, mas é mais seguro levar o seu próprio. Prepare a roupa com antecedência, especialmente se pretender visitar o local na época quente do ano.
Venha num dia de semana, durante a manhã — após a oração matinal e antes do meio-dia. Este é o horário mais tranquilo: há poucos peregrinos, o salão está silencioso e é possível observar sem pressa o mihrab, o minbar e os painéis de azulejos. Evite as sextas-feiras por volta do meio-dia (cuma namazı) e os dias de grandes festas religiosas — nesses períodos, a mesquita e a praça em frente a ela ficam lotadas.
Comece por uma inspeção exterior: contorne o complexo pelo perímetro e observe como a alvenaria da mesquita se encosta diretamente às antigas paredes do Templo de Augusto (Monumentum Ancyranum). O melhor ponto para tirar fotos é o canto noroeste, onde o minarete, a cúpula do mausoléu e as ruínas do templo romano se alinham. A entrada no recinto das ruínas é gratuita — contorne a mesquita pela esquerda e observe os textos em latim e grego da Res Gestae Divi Augusti nas paredes.
Depois de tirar os sapatos à entrada, entre na sala de oração oblonga com teto de madeira apoiado em colunas. Repare no mihrab, voltado para Meca, no minbar de madeira entalhada e nos painéis de cerâmica produzidos em Kutahya no século XVIII — azuis, turquesa e brancos, com arabescos vegetais. Se estiver a decorrer uma oração na sala, aguarde à entrada ou observe em silêncio, sem perturbar os fiéis. É permitido fotografar sem flash e fora do horário da oração.
O mausoléu fica junto à mesquita, no lado sudeste, e tem uma entrada separada. No interior deste pequeno edifício abobadado encontra-se um caixão (sarcófago simbólico), coberto por um pano verde com versículos do Alcorão bordados a ouro. Aqui repousam também o filho do xeque Ahmet Baba e os seus seguidores. A entrada é gratuita e está aberta diariamente. No interior, os peregrinos recitam duas e o Alcorão — mantenha silêncio e comporte-se com respeito.
Depois de visitar o complexo, dê um passeio pelas ruas adjacentes: aqui encontram-se lojas tradicionais que vendem rosários (tesbih), literatura religiosa, lokum, halva (helva) e pastas de tahini e pekmez (tahin pekmez). É um bom local para comprar lembranças autênticas e fazer um lanche. Todo o percurso — mesquita, Türbe, Monumentum Ancyranum e bairro — demora cerca de 1,5 horas; se desejar, continue o passeio até à Cidadela de Ancara (Ankara Kalesi) ou ao Museu das Civilizações da Anatólia.